Há gritos feitos de dor, de alegria ou de susto. Há gritos que são desespero, outros contentamento.
E existem gritos que são tudo isso a um tempo.
A sua base é sempre a mesma – o excesso. O limiar do suportável. O que grita em nós? A alma ou o corpo? Ambos. Não há alma sem corpo nem corpo sem alma, embora haja por vezes uma relação de tirania.
Quando audível, o grito faz-se no corpo por ordem da alma. Como se o corpo tivesse que ser maior para poder acompanhá-la. E o grito audível liberta. Alivia momentaneamente a Alma que encontra nele um órgão a mais. O grito faz-se órgão. Faz-se ser. Autonomiza-se e tem uma acção. Ele entra no Mundo e perturba-o. Perturba a ordem quotidiana. É o incompreensível. A expressão de um desconhecido que ressoa em todos os corpos que, de algum modo, o reconhecem. O grito não deixa o mundo indiferente. Há pessoas fechadas em manicómios simplesmente porque na rua, gritaram. Gritaram com quanta força tinham e sem “saberem” porquê.
Quando silencioso, o grito sufoca. Tem que procurar outras expressões. O mal-estar é o mesmo. O mal-estar é o excesso.
Tudo em mim é grito silencioso que precisa disciplinar-se.
E existem gritos que são tudo isso a um tempo.
A sua base é sempre a mesma – o excesso. O limiar do suportável. O que grita em nós? A alma ou o corpo? Ambos. Não há alma sem corpo nem corpo sem alma, embora haja por vezes uma relação de tirania.
Quando audível, o grito faz-se no corpo por ordem da alma. Como se o corpo tivesse que ser maior para poder acompanhá-la. E o grito audível liberta. Alivia momentaneamente a Alma que encontra nele um órgão a mais. O grito faz-se órgão. Faz-se ser. Autonomiza-se e tem uma acção. Ele entra no Mundo e perturba-o. Perturba a ordem quotidiana. É o incompreensível. A expressão de um desconhecido que ressoa em todos os corpos que, de algum modo, o reconhecem. O grito não deixa o mundo indiferente. Há pessoas fechadas em manicómios simplesmente porque na rua, gritaram. Gritaram com quanta força tinham e sem “saberem” porquê.
Quando silencioso, o grito sufoca. Tem que procurar outras expressões. O mal-estar é o mesmo. O mal-estar é o excesso.
Tudo em mim é grito silencioso que precisa disciplinar-se.

Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta– havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza. (Munch)
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