Não existem flores nem frutos esplendorosos que não tenham a sua raiz no subsolo. Não há verdadeira beleza ou perfume que não resulte de uma alquimia daquilo que é o material “menos nobre”. Essa é a verdade da árvore, da flor – da imersão na escuridão húmida da terra, da absorção e transmutação dos excrementos e da morte, nasce a força e a beleza que tendem para a Luz, para o Céu.
Desconfiemos de tudo o que parece viver lá em cima. Daquilo que tem cima sem baixo. Dos novos falsos deuses que povoam o espaço virtual. Desconfiemos de todas as máximas ocas que nos chegam a todo o instante. Olhemos a boca que as diz. Tem vida, cor? Olhemos o rosto que as veste. Tem nele marcado os sulcos do que é humano? Ouçamos a voz que as proclama. Tem a perturbação serena do conhecimento das “dores do mundo”?
Como a árvore, cumpramos a nossa natureza. Não recusemos nada do que de humano a Vida nos pede. Não recusemos a matéria “menos nobre” que vive em nós. Só a partir da sua transmutação alquímica atingiremos (eventualmente) a leveza, serenidade e beleza. A verdade não circula em bolhas de sabão.
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