Saúdo o “meu” mês (com as aspas de toda a posse). Meu por tão variados motivos, é sempre uma referência neste ciclo inventado/criado, o que não significa falso ou aleatório. É sempre tempo de mudança, tempo de balanço. Tempo marcante porque, de algum modo, fora do tempo. Foi muitas vezes sob o seu filtro que os meus olhos viram com maior clareza, ou que a minha vida se esboçou em outras formas, recuperando ou iludindo um início. Por vezes foram socos secos no centro da Alma. Estrondos que provocam o vácuo e que só mais tarde, num depois, percebemos ou, pouco importa, julgamos perceber. E (uma) compreensão vem nesse pós-estrondo porque o centro se desloca. Porque nos deslocamos nesse espaço a partir do qual (nos) percepcionamos.
E neste instante da (minha) trajectória, neste ponto preciso de confluências a que chamo eu, a reconstrução emerge como prioridade. Não por decisão. Não por um acto de vontade, esse órgão fraco em mim, mas como uma Evidência.
É tempo de balanço, sinto. O maior balanço, penso eu neste aqui e agora. O que não significa tempo de acção mas, quem sabe, tempo de passividade, de disponibilidade para ser agida.
Fevereiro, se buscarmos a sua origem etimológica, está ligado a morte e purificação. De acordo com Ovídio, está ligado à purificação pela água – a água que limpa, que é memória, ou a transmutação das memórias que são sempre reconstrução. A morte de instantes cristalizados que impedem o fluir das águas (das emoções). Na mitologia etrusca, com importância central no mundo romano, encontramos a deusa Februua, mãe de marte. Vemos assim a força, a acção e mesmo a violência terem a sua origem nessa necessidade de transmutação, de alquimia. E esse Marte, tantas vezes cego e implacável, ligado às forças mais subterrâneas (Hades, Plutão), às forças ancestrais mais primitivas que trazemos em nós, a amígdala reptiliana que persiste na nossa estrutura mental, tem assim um propósito maior.
Fevereiro, mês associada a catástrofes naturais, é o tempo mais curto no ciclo do calendário gregoriano. Um mês misterioso, que traz ao mundo seres que no ano seguinte recusa voltando a aceitá-los quatro anos depois. Foi como se o mundo Ocidental quisesse reduzir o tempo da morte – o maior tabu desta civilização; anular a impermanência. Solar por vocação, o Ocidente fixa a forma. A ponta do icebergue, virando o olhar às forças caóticas que a fizeram eclodir e que a sustentam. E virar os olhos à transitoriedade é virar os olhos ao tempo. A mitologia grega está repleta destas alusões.
A reconstrução virá assim de uma observação atenta ao diálogo entre as forças de Februua e Marte. Numa aparente passividade disponível para o que quer que seja.
Februa dá ainda o nome a uma Borboleta
E neste instante da (minha) trajectória, neste ponto preciso de confluências a que chamo eu, a reconstrução emerge como prioridade. Não por decisão. Não por um acto de vontade, esse órgão fraco em mim, mas como uma Evidência.
É tempo de balanço, sinto. O maior balanço, penso eu neste aqui e agora. O que não significa tempo de acção mas, quem sabe, tempo de passividade, de disponibilidade para ser agida.
Fevereiro, se buscarmos a sua origem etimológica, está ligado a morte e purificação. De acordo com Ovídio, está ligado à purificação pela água – a água que limpa, que é memória, ou a transmutação das memórias que são sempre reconstrução. A morte de instantes cristalizados que impedem o fluir das águas (das emoções). Na mitologia etrusca, com importância central no mundo romano, encontramos a deusa Februua, mãe de marte. Vemos assim a força, a acção e mesmo a violência terem a sua origem nessa necessidade de transmutação, de alquimia. E esse Marte, tantas vezes cego e implacável, ligado às forças mais subterrâneas (Hades, Plutão), às forças ancestrais mais primitivas que trazemos em nós, a amígdala reptiliana que persiste na nossa estrutura mental, tem assim um propósito maior.
Fevereiro, mês associada a catástrofes naturais, é o tempo mais curto no ciclo do calendário gregoriano. Um mês misterioso, que traz ao mundo seres que no ano seguinte recusa voltando a aceitá-los quatro anos depois. Foi como se o mundo Ocidental quisesse reduzir o tempo da morte – o maior tabu desta civilização; anular a impermanência. Solar por vocação, o Ocidente fixa a forma. A ponta do icebergue, virando o olhar às forças caóticas que a fizeram eclodir e que a sustentam. E virar os olhos à transitoriedade é virar os olhos ao tempo. A mitologia grega está repleta destas alusões.
A reconstrução virá assim de uma observação atenta ao diálogo entre as forças de Februua e Marte. Numa aparente passividade disponível para o que quer que seja.
Februa dá ainda o nome a uma Borboleta

Sem comentários:
Enviar um comentário