sábado, 6 de fevereiro de 2010

as brincadeiras de Pã explicadas a leigos

texto retirado do site da Oficina de Psicologia

http://www.oficinadepsicologia.com/panico.htm

"Explicar o que é um ataque de pânico só faz sentido para quem não tenha passado por um... É daquelas coisas que só se conhece, vivendo-a. Então, para si, que nunca teve um ataque de pânico, aqui vai uma tentativa de explicação: imagine que se sente ansioso; mais ainda; mais ainda; à beira do descontrolo; completamente descontrolado - o coração a 1000 à hora, um aperto no peito, parece que o ar não chega, não vai conseguir respirá-lo; o mundo à sua volta adquire um tom de irrealidade e distância, complicado pela sensação de tontura; o estômago embrulha-se; as mãos suadas; as pernas ou a boca dormentes; a garganta apertada; um vazio de raciocínio; a necessidade absoluta de fugir, de fugir de dentro de si, desse corpo que, sem mais nem porquê, decidiu maltratá-lo, ameaça morrer-lhe; o chão foge-lhe; a loucura espreita-o. E, depois do que parece uma eternidade, você volta gradualmente à normalidade, assustado, ainda, mas cansado, tãããooo cansado!

Horrível, não é? No entanto, há pessoas que passam por várias destas crises por semana. Adianta de pouco dizer-lhes que não é nada, que se acalmem, que são só coisas da cabeça delas. Infelizmente, estes são, frequentemente, os comentários bem-intencionados que pessoas com pânico ouvem. E o resultado é sentirem-se incompreendidas e isoladas, reservando para si o sofrimento do seu dia-a-dia.

Ter um ou mais ataques de pânico não chega para se definir uma perturbação do pânico mas, na ausência de uma intervenção precoce, quem sofra de 2 ou 3 destes episódios, acaba por vir a sofrer de perturbação do pânico.
O motivo é simples: a experiência é tão aterradora que, rapidamente, a pessoa começa a preocupar-se, de uma forma persistente, com a possibilidade de ter uma nova crise ou de lhe acontecer algo de terrível na sequência de um ataque de pânico (como morrer, enlouquecer ou perder os sentidos). Quando isto acontece, já estão reunidos os critérios para se definir a situação como sendo uma perturbação do pânico.

Ao pânico, facilmente se associa uma outra perturbação: a agorafobia. O pânico, pelas suas características - crises súbitas, inexplicáveis, surgidas do nada - exige uma explicação racional! Depois de uma crise, qualquer pessoa, conscientemente ou não, começa a procurar razões para se ter sentido tão mal; e, como quem procura sempre encontra... As razões aparentemente mais evidentes prendem-se com a saúde física: é um problema no coração, é o descontrolo da loucura, é uma quebra de açúcar no sangue que o vai fazer desmaiar de repente... E se voltar a acontecer, como é que pode ser socorrido rapidamente ou procurar ajuda? Bem, se estiver numa auto-estrada, de onde não existem escapatórias durante alguns quilómetros, ou numa ponte, será difícil ser salvo a tempo, pensa. O mesmo se passa em locais com muita gente que, ainda por cima, criam uma situação de "inundação sensorial", capaz de fazer reagir o organismo menos sensível. Ou locais fechados, como um cinema, teatro ou sala de espectáculos, em que seja difícil chegar à porta e sair se, a qualquer momento, o corpo voltar a dar sinais de que o vai atraiçoar.

Assim, os locais de onde resulte difícil ou embaraçoso sair, em caso de necessidade, começam a ser evitados, bem como os locais onde já se produziram ataques de pânico, porque ficam associados, de uma forma traumática, aos maus momentos que lá se passaram."

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