Na Noite surgiram palavras e silêncios; vinham, perscrutavam-se, iam; de uma quase-sintonia vi brotar um mar, de um azul tão intenso que a linha do horizonte se retirou.
Fui, errante, pé ante pé sobre as palavras e os silêncios em busca d’A palavra.
E um barco ia-se esboçando – como o barco pintado na tela por onde Wang-Fô e Ling se evadiram do Imperador e das suas leis implacáveis.
Já em alto mar, o Silêncio. Tu tinhas permanecido em terra firme, mantendo as tábuas, a Lei.
E eu afundei-me nas águas profundas de um desejo, sem barco;
Agora sou água, meu amor. E todas as palavras se dissolveram em mim.
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