Aqui, neste lugar especial, de acesso algo iniciático, como é próprio de todos os lugares especiais. Dei o mergulho purificador – o cíclico baptismo –, por entre as rochas, onde tudo evoca a presença do Mar Egeu. E vem-me à memória Mary – a criatura bizarra de Egina e as suas primeiras palavras em frente do Templo de Aphaia – My name is Mary and i am an egean girl, enquanto abria os seus fortes braços como que a convocar-nos antes de explicar a história do mesmo e o mistério que há na espuma das águas;
À minha frente, a Pedra da Anicha, onde sempre imaginei uma imensa vida povoada de fantasia – a pequena ilha dos seres improváveis, que o Sado, a Serra e o Céu alimenta. Também eu vivo um pouco por lá. Parte de mim, por entre os Faunos e as Nynphas, numa pequena ilha que os Poetas de todos os tempos escolhem e criam para os seus retiros.
Hoje vejo lá Safo e Alceu. Competem em subtilezas, num jeito muito grego, na poética do amor. Outros acabam de chegar. Alguns sem nome. Vêm beber o Ar e mergulhar nas Águas quando a Terra e o Fogo lhes pesam. E deixam que os abrace, abraçando neles todas as almas familiares espalhadas pelo Mundo.
As Sereias dançam em volta, ao ritmo do seu próprio cântico. Não há navios neste lugar; quem não vê na rocha a Ilha não as pode ouvir; e os Poetas, esses não lhes sucumbem porque já lhes sucumbiram – vivem as glórias e os abismos do seu Encantamento.
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