Gosto deste período da manhã. O lugar ainda não se encheu da rotina; agradável, por vezes, mas rotina. Os rostos mais próximos ainda não desfilam por aqui e posso desfrutar da minha solidão que é paz e silêncio no meio deste buliço.
Mas não há como não voltar ao como. De facto já não me interessam os porquês. Aqueles que grito apenas no transe da presença de Pã onde o desnorte me faz preferir a imediatez das perguntas às interrogações. Não, não quero perguntas. Não gosto que mas façam nem gosto de fazê-las. A horizontalidade é para ser vivida intuitivamente, caminhando, sem mapas nem guias. E das interrogações, das muitas interrogações, surge como resposta o passo, o gesto, senão firmes ou convictos, pelo menos serenos. De uma serenidade conquistada, apesar de precária. Uma serenidade em construção.
Mas como?, interrogo-me enterrando os pés no mais profundo da Terra e tentando manter a cabeça o mais próximo possível do Céu. Como?
A vida é relação. Com as várias dimensões de nós próprios e com os outros. E com os outros dos outros. E a interrogação, a verticalidade profunda e autêntica, comprometida, é a via da responsabilidade. O seu (nosso) pathos.
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