O Céu estava azul, sem nuvem alguma, e parecia proteger o Mar, ao longe, na sua leve agitação.
A areia era a da manhã - virgem, sem traços ou pegadas, como um écran branco antes de qualquer filme.
Uma leve brisa imprimia um ténue movimento aos minúsculos grãos finos e brancos que se deslocavam como enxames e eram como que uma evidência de vida.
Ao lado, as rochas serenas pareciam ajudar o Céu naquele equilíbrio.
- Sentes?
- Sim, sinto.
- É bonito.
- Pois é.
- Achas que o Céu protege o Mar?
- Não.
A linha do horizonte é uma ilusão.
- Sim.
Uma visão da cegueira.
- …
- …
E o Sol foi-se escondendo por detrás da Serra. O Céu escureceu aos poucos e algumas nuvens apareceram como pinceladas feitas por gestos distraídos.
- …
- …
- Sabes há quanto tempo aqui estamos?
- Não.
Esqueci-me do relógio.
- Pensei que o tinhas trazido.
- Está com certeza algures por aí.
- …
- …
- Está a ficar frio aqui.
- Sim, está.
O Mar tornou-se mais agitado, sob o efeito da brisa que já era vento e a areia corria descontrolada fazendo ricochete nas rochas e agredindo-lhes os corpos.
- Penso que é tempo de ir embora.
- Concordo.
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