Vivia uma estrela feliz no céu imenso.
Brilhava e sentia-se leve e feliz.
Até que um dia sentiu que devia pensar.
E pensou.
Primeiro pensou em como era feliz por poder viver no céu imenso e brilhar
Depois pensou, pensou
Pensou tudo de bom o que podia pensar.
Até que um dia, cansada de tanto pensar,
Disse para si mesma: “chega, agora chega!”
E quis deitar fora o órgão que criara.
Procurou, procurou e não o encontrou.
Sacudiu-se e esperou.
E então pensou que não resultou.
E por ter pensado viu que continuava a pensar.
Sacudiu-se de novo e esse sacudir-se mais forte produziu em si um pensamento de temor.
Assustada, a estrela olhou para a Lua Cheia que era o espelho do céu.
E o espelho do céu, que sabia tudo porque tudo espelhava
Olhou-a com uns olhos que a estrela desconhecia.
E através dos olhos da Lua Cheia, a estrela viu-se como nunca se tinha visto.
E isso pesou, pesou tanto que a estrela do céu caiu desamparada.
Quando acordou, atordoada, viu-se num outro imenso céu mas que não era céu.
Viu peixes e anémonas, corais e algas
Sentiu o seu corpo diferente
E diferente o seu sentir
Quando Neptuno a recebeu no seu trono
A estrela olhou aquele Velho com enorme manto e deixou cair uma lágrima
E o Velho do Mar, com ar sereno disse-lhe:
Não te assustes, pequena estrela.
Tens agora a Nostalgia das águas,
Mas a cada uma das tuas lágrimas,
Brilha no Mar um pedaço de Céu.
1 comentário:
Não gostei pouco.
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