"Mas eu não sou arqueóloga. Não tenho profissão. Poderia exercer qualquer uma. Viver em todas as cidades. Sentir-me em casa em todos os países. Mas não transijo comigo própria: o preço a pagar pela “boa vida” era demasiado elevado.
Recordo-me de todos os avisos que me foram dirigidos, de todos os conselhos. Mas vocês utilizaram uma língua que eu não entendia. Lamentaram-se da minha deserção, da minha sede de viagens, das minhas errâncias. Mas esqueceram-se de me dizer quem seria o juiz.
Reprovaram-me por me expor voluntariamente ao perigo, por considerar a aventura como um pretexto desperdiçar as minhas forças e desdenhar dos deveres que me teriam sido impostos por uma “vida normal”.
Como representam vocês a aventura? Essa palavra nada significa para mim. - A pista das caravanas por detrás do muro do jardim? Quererão transformar a Terra numa plantação de couves? E em seguida escoá-las a preço baixo? Cada um com a sua sorte, dizem vocês? - Eu não tenho sorte ao jogo.
Eu não poderia desperdiçar as minhas forças: pois o esforço está interrompido.
Pedem-me que me esforce, sim, mas com que objectivo?
Respondo: Não há qualquer objectivo que desejasse alcançar utilizando falcões amestrados e matilhas de cães.
E termino: só me meti a caminho para aprender o terror."
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