Um sonho humano os trouxe à Terra
E vivem na Terra tropeçando nos Sonhos.
"Não defendo nenhum dos meus indícios terrestres separadamente, como também não defendo nenhum dos meus versos nem das minhas horas isoladas: o importante é o conjunto. Não defendo sequer o conjunto dos meus indícios terrestres, defendo apenas o seu direito à existência, e à verdade - a minha." Marina Tsvietaieva
terça-feira, 13 de julho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
A Estrela
Vivia uma estrela feliz no céu imenso.
Brilhava e sentia-se leve e feliz.
Até que um dia sentiu que devia pensar.
E pensou.
Primeiro pensou em como era feliz por poder viver no céu imenso e brilhar
Depois pensou, pensou
Pensou tudo de bom o que podia pensar.
Até que um dia, cansada de tanto pensar,
Disse para si mesma: “chega, agora chega!”
E quis deitar fora o órgão que criara.
Procurou, procurou e não o encontrou.
Sacudiu-se e esperou.
E então pensou que não resultou.
E por ter pensado viu que continuava a pensar.
Sacudiu-se de novo e esse sacudir-se mais forte produziu em si um pensamento de temor.
Assustada, a estrela olhou para a Lua Cheia que era o espelho do céu.
E o espelho do céu, que sabia tudo porque tudo espelhava
Olhou-a com uns olhos que a estrela desconhecia.
E através dos olhos da Lua Cheia, a estrela viu-se como nunca se tinha visto.
E isso pesou, pesou tanto que a estrela do céu caiu desamparada.
Quando acordou, atordoada, viu-se num outro imenso céu mas que não era céu.
Viu peixes e anémonas, corais e algas
Sentiu o seu corpo diferente
E diferente o seu sentir
Quando Neptuno a recebeu no seu trono
A estrela olhou aquele Velho com enorme manto e deixou cair uma lágrima
E o Velho do Mar, com ar sereno disse-lhe:
Não te assustes, pequena estrela.
Tens agora a Nostalgia das águas,
Mas a cada uma das tuas lágrimas,
Brilha no Mar um pedaço de Céu.
Brilhava e sentia-se leve e feliz.
Até que um dia sentiu que devia pensar.
E pensou.
Primeiro pensou em como era feliz por poder viver no céu imenso e brilhar
Depois pensou, pensou
Pensou tudo de bom o que podia pensar.
Até que um dia, cansada de tanto pensar,
Disse para si mesma: “chega, agora chega!”
E quis deitar fora o órgão que criara.
Procurou, procurou e não o encontrou.
Sacudiu-se e esperou.
E então pensou que não resultou.
E por ter pensado viu que continuava a pensar.
Sacudiu-se de novo e esse sacudir-se mais forte produziu em si um pensamento de temor.
Assustada, a estrela olhou para a Lua Cheia que era o espelho do céu.
E o espelho do céu, que sabia tudo porque tudo espelhava
Olhou-a com uns olhos que a estrela desconhecia.
E através dos olhos da Lua Cheia, a estrela viu-se como nunca se tinha visto.
E isso pesou, pesou tanto que a estrela do céu caiu desamparada.
Quando acordou, atordoada, viu-se num outro imenso céu mas que não era céu.
Viu peixes e anémonas, corais e algas
Sentiu o seu corpo diferente
E diferente o seu sentir
Quando Neptuno a recebeu no seu trono
A estrela olhou aquele Velho com enorme manto e deixou cair uma lágrima
E o Velho do Mar, com ar sereno disse-lhe:
Não te assustes, pequena estrela.
Tens agora a Nostalgia das águas,
Mas a cada uma das tuas lágrimas,
Brilha no Mar um pedaço de Céu.
sábado, 26 de junho de 2010
momentos fragmentados
...e quando os rostos em seu redor explodiam em traços exagerados e as palavras eram ecos sem sentido;
quando o mundo inteiro se transformava numa massa quase-informe, numa caricatura ameaçadora;
apertava a pequena pedra polida que levava no bolso, repleta de Memória, a que chamava solidão.
...permaneceu na gruta uma Noite e um Dia. Caminhou pela escarpa íngreme que levava a lugar nenhum; já a meio caminho de lugar nenhum, sentou-se. E sem perceber se era Dia, ou Noite, adormeceu.
...acordou perdida e procurou-se nas páginas de um livro. Presa ao momento, incapaz de seguir qualquer continuidade, buscava apenas nas palavras, uma que a salvasse.
quando o mundo inteiro se transformava numa massa quase-informe, numa caricatura ameaçadora;
apertava a pequena pedra polida que levava no bolso, repleta de Memória, a que chamava solidão.
...permaneceu na gruta uma Noite e um Dia. Caminhou pela escarpa íngreme que levava a lugar nenhum; já a meio caminho de lugar nenhum, sentou-se. E sem perceber se era Dia, ou Noite, adormeceu.
...acordou perdida e procurou-se nas páginas de um livro. Presa ao momento, incapaz de seguir qualquer continuidade, buscava apenas nas palavras, uma que a salvasse.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
pudesse...
Pudesse todo o Tempo condensar-se
no Instante supremo do Encontro
E que esse Tempo contraído - denso e intenso
Único - na harmonia dos quatro elementos
Pudesse explodir num Lugar
no Instante supremo do Encontro
E que esse Tempo contraído - denso e intenso
Único - na harmonia dos quatro elementos
Pudesse explodir num Lugar
quarta-feira, 16 de junho de 2010
...uma espécie de tabuinha Órfica
segunda-feira, 14 de junho de 2010
a erosão dos sonhos
Sinto os olhos da Esfinge cravados na carne
Diz-me - pergunto-lhe a medo -,
o que provoca a erosão dos sonhos?
o crescimento?... ou a morte?...
Ela aproxima-se, abre a boca
E ouço o grito do despertador.
Diz-me - pergunto-lhe a medo -,
o que provoca a erosão dos sonhos?
o crescimento?... ou a morte?...
Ela aproxima-se, abre a boca
E ouço o grito do despertador.
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