A verdade do quadro-movimento não é a de um diálogo sobre algo de objectivo. A verdade do quadro-movimento é a da partilha, da exposição, da apresentação ao outro da forma como a nossa sensibilidade pinta determinado aspecto da realidade.
Há conversas assim. Conversas que se tecem nas palavras, nos olhares, nos gestos, nos silêncios. Conversas em que se é inteiro e, em que inteiro, se escuta: o outro, o mundo, nós próprios.
Momentos sem crispação em que espelhamos e somos espelhados. Momentos em que o tempo se revela na sua mais sagrada dimensão – a de presentificar (presente tempo, presente dádiva). Momentos que dispensam os relógios, que vivem além do tempo linear e em que nos sentimos, contudo, sempre a tempo.
São como espelhos que nos devolvem o melhor e o pior de nós próprios sem arestas. Que nos dão a dimensão da vida como um eterno bailado onde soltos, procuramos o equilíbrio. Momentos em que nos esculpimos, naturalmente, porque sentimos que a vida é isso - uma caminhada tranquila mesmo no meio dos maiores sobressaltos. Uma caminhada em conjunto, mesmo quando se está só.
E nesse bailado em que nos pintamos, esculpimos, a vida vai nos oferecendo a nós próprios, página a página, compasso a compasso,...aos poucos.
M
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