sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Elos Sagrados ou A Interdependência de Todas as Coisas

Sempre que baixamos as defesas dos nossos egos – vontades, medos, certos “ideais”, gostos e desgostos, rotinas - a Vida entra por nós adentro, invade-nos, recria-nos, devolve-nos a nossa verdadeira dimensão.
Paradoxalmente (ou não) é na Dor e no desnorte que a Vida, sempre à espreita, encontra as brechas para chegar até nós. Quando, vencidos, nos deixamos ir.
Descobrimos então que cada momento, cada encontro, cada troca tem a sua razão de ser nesta coreografia imensa. Que um gesto aparentemente sem grande sentido “aqui” ganha uma força imensa “ali”. Que uma palavra, um livro, um acontecimento, um conhecimento que nos chegou por via de outrem num dia ou numa noite de meia-luz, e que não nos disse tudo o que tinha para dizer mas que guardámos, vai-se revelar de forma mais plena em outro lugar, em outro contexto, quando o soltamos.
E descobrimos que somos muito mais do que aquilo que cabe dentro da nossa própria pele. Descobrimos que para além de todas as experiências que nos habitam, somos também importantes elos de ligação entre todos os mundos por onde nos movemos, entre todos os seres com quem nos relacionamos e que essa condição de elo é, também ela, uma dimensão sagrada da Vida que existe em nós.


M

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